Sombra

Café Geopolítico debate exploração de terras raras

Sexta-feira - 30 de outubro de 2026

Soberania


Café Geopolítico debate exploração de terras raras e criação de estatal brasileira


11ª edição do Ciclo de Palestras do ASUFPel discutiu o potencial dos minerais críticos para o desenvolvimento tecnológico, a indústria nacional e as relações internacionais


A possibilidade de criação de uma empresa estatal voltada à exploração e ao processamento de minerais críticos no Brasil foi o tema da 11ª edição do Ciclo de Palestras do ASUFPel, realizada na quinta-feira (29), na sede do Sindicato. A atividade integrou mais um encontro do Café Geopolítico, desenvolvido em parceria com o curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).


Com o tema “Criação de Terrabrás: entre a utopia e a necessidade estratégica para a liderança brasileira em minerais críticos”, a palestra foi conduzida pelo professor doutor Vinicius Mallmann, docente de Relações Internacionais da UFPel, da Universidad de la República, no Uruguai, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Durante a apresentação, Mallmann abordou a importância das terras raras para a produção de equipamentos eletrônicos, componentes industriais e tecnologias utilizadas na transição energética. Embora o Brasil possua grandes reservas desses minerais, o pesquisador explicou que a disponibilidade dos recursos não significa, necessariamente, o domínio das tecnologias necessárias para seu processamento.


“Possuir o recurso é controlar a cadeia? Não, não é”, afirmou o professor, ao diferenciar as etapas de extração, processamento e fabricação de produtos industrializados. Segundo ele, um dos desafios brasileiros é evitar a dependência da exportação de matérias-primas e da posterior importação de componentes com maior valor agregado.


O debate também apresentou propostas legislativas relacionadas à criação de uma empresa nacional para o setor, além de experiências internacionais de países como China e Estados Unidos. Mallmann destacou que ambos utilizam instrumentos estatais para assegurar o abastecimento e o desenvolvimento tecnológico, embora adotem modelos distintos de atuação.


A relação entre pesquisa universitária e produção industrial foi outro ponto da palestra. Para o professor, uma eventual estatal poderia contribuir para aproximar o conhecimento produzido nas universidades das necessidades da indústria, desde que estivesse vinculada a um planejamento de longo prazo.


“A gente não pode só pensar em criar uma empresa estatal, ter a empresa estatal e deixá-la ali paradinha”, observou. Mallmann defendeu que a discussão envolva investimentos em tecnologia, infraestrutura e formação científica, além de uma estratégia de desenvolvimento que ultrapasse os mandatos governamentais.


As consequências ambientais e sociais da exploração mineral também receberam atenção. O palestrante ressaltou a necessidade de considerar as comunidades que vivem nos territórios onde estão localizadas as reservas, incluindo populações indígenas, e de discutir a destinação dos recursos econômicos provenientes dessa atividade.


A apresentação foi seguida por perguntas do público sobre soberania nacional, participação popular, dificuldades para a continuidade de políticas de Estado e possibilidades de cooperação tecnológica com outros países. Mallmann também abordou o papel que o Brasil poderia desempenhar na articulação de uma cadeia produtiva regional na América do Sul.


O encontro contou com a presença de estudantes, professores/as, integrantes da comunidade acadêmica e público externo. A atividade faz parte da parceria entre o ASUFPel e o projeto de extensão Café Geopolítico, que promove debates sobre temas da política internacional e seus reflexos na sociedade brasileira.


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